Fluxo de Trabalho de Design: Como Organizar e Priorizar Solicitações
- DesignGuy
- Jan 12
- 10 min read
A rotina de um gestor de marketing costuma incluir uma cena recorrente: solicitações de design chegando de todos os lados. Um email do comercial pedindo uma apresentação urgente. Uma mensagem no Slack do time de produto querendo um banner. O CEO aparecendo com uma ideia de campanha que precisa sair "ontem". E tudo, claro, é prioridade máxima.
Sem um fluxo de trabalho estruturado para receber e organizar essas demandas, o caos se instala. O designer (ou o fornecedor de design) não sabe por onde começar. O gestor perde o controle do que está em produção. E inevitavelmente, algo importante fica para trás enquanto tarefas menos relevantes consomem tempo precioso.
Este artigo mostra como estruturar um fluxo de trabalho de design focado na etapa mais crítica e negligenciada do processo: o momento em que as solicitações chegam. Organizar o intake e a priorização de demandas pode ser a diferença entre um time produtivo e um time constantemente apagando incêndios.

O problema das solicitações descentralizadas
A maioria das empresas não tem um processo claro para solicitar design. As demandas chegam por email, WhatsApp, Slack, reuniões de corredor, até comentários casuais no cafezinho. Cada pessoa pede do seu jeito, com o nível de detalhe que acha suficiente, no canal que prefere.
Esse cenário gera problemas em cascata. O designer precisa gastar tempo perseguindo informações básicas que deveriam ter vindo na solicitação original. Pedidos se perdem entre threads de email. Não há visibilidade de quantas demandas estão na fila. E o pior: não existe critério objetivo para decidir o que fazer primeiro.
Quando tudo é urgente, nada é urgente de verdade. A priorização vira uma questão de quem grita mais alto ou de qual stakeholder tem mais influência política. O resultado é frustração generalizada: quem pediu acha que está demorando demais, e quem executa se sente sobrecarregado e desorganizado.
Empresas que crescem sem estruturar esse fluxo de trabalho chegam a um ponto em que simplesmente não conseguem escalar a produção criativa. Contratar mais designers não resolve, porque o problema não é falta de mão de obra. É falta de processo.
O que é gestão de intake em design no fluxo de trabalho
Intake é o processo de receber, registrar e qualificar solicitações antes que elas entrem oficialmente no fluxo de produção. É a porta de entrada do trabalho criativo. Quando bem estruturada, essa etapa filtra ruídos, padroniza informações e cria visibilidade sobre a demanda.
Um bom sistema de intake responde a perguntas básicas no início do processo: o que precisa ser criado, para quem, com qual objetivo, em que formato, até quando. Sem essas informações mínimas, qualquer briefing vira um jogo de adivinhação, e o retrabalho é garantido.
A gestão de intake também serve como buffer. Nem toda solicitação precisa virar projeto imediatamente. Algumas podem esperar, outras podem ser agrupadas com demandas similares e algumas, talvez, nem precisem de design. Ter esse momento de triagem evita que o time criativo seja interrompido constantemente com pedidos mal pensados.
Empresas maduras tratam intake como disciplina estratégica. Porque quanto melhor a entrada, melhor a saída. Design de qualidade começa com solicitações bem estruturadas.
Como centralizar o canal de solicitações
O primeiro passo para organizar o fluxo de trabalho é definir um canal único para receber demandas. Pode ser um formulário online, um quadro no Trello, uma integração no Slack, uma ferramenta dedicada. O importante é que seja o único caminho oficial.
Centralizar não significa complicar. O canal precisa ser fácil de usar, acessível para todos os solicitantes e integrado ao workflow do time de design. Se for muito burocrático, as pessoas vão continuar mandando email ou WhatsApp.
Formulários de solicitação funcionam bem porque garantem que informações essenciais sejam preenchidas desde o início. Campos obrigatórios como objetivo do projeto, público-alvo, formato desejado e prazo esperado eliminam a necessidade de ir atrás dessas informações depois.
Ferramentas como Trello, Asana ou Notion permitem criar templates de solicitação com checklists embutidos. Cada novo card já vem com os campos necessários e o solicitante só precisa preencher. Isso padroniza a entrada e facilita a vida de quem vai executar.
O ideal é que o canal escolhido também sirva como repositório das solicitações. Assim, o gestor consegue visualizar tudo que está na fila, acompanhar o status de cada demanda e ter histórico completo do que já foi entregue. Essa transparência operacional reduz ansiedade do solicitante e melhora a confiança no processo.
O que pedir na solicitação
Um bom fluxo de trabalho de design começa com boas perguntas. O formulário ou template de solicitação deve capturar informações essenciais sem sobrecarregar quem está pedindo. O equilíbrio está em pedir o suficiente para começar o trabalho, mas não tanto a ponto de travar a solicitação.
Campos essenciais que toda solicitação de design deveria ter:
Título do projeto:
Uma linha que descreve o que é. "Banner para Black Friday" é melhor que "Preciso de uma peça".
Objetivo:
Para que serve esse material? Qual resultado se espera? "Aumentar conversão na landing page" é mais útil que "Fazer um design bonito".
Público-alvo:
Quem vai ver isso? Conhecer a audiência influencia diretamente as escolhas criativas.
Formato e especificações:
Tamanho, dimensões, se é digital ou impresso, se tem restrições técnicas. Quanto mais específico, melhor.
Prazo desejado:
Quando idealmente a peça deveria estar pronta. Isso ajuda na priorização e no planejamento.
Referências:
Exemplos de estilos, cores, layouts que o solicitante gosta ou quer evitar. Visual sempre comunica melhor que texto. Nem sempre o solicitante terá sensibilidade para enviar boas referências, mas mesmo que ele use peças já produzidas internamente, ajuda bastante.
Stakeholders:
Quem vai aprovar? Quem precisa ser consultado? Definir isso logo no início evita surpresas depois.
Campos opcionais podem incluir orçamento disponível (se houver), contexto do projeto (qual campanha, qual lançamento) e nível de urgência. Mas cuidado: se tudo for urgente no formulário, o campo perde utilidade.
Algumas empresas incluem um campo de justificativa quando a solicitação é marcada como urgente. Isso obriga o solicitante a pensar duas vezes antes de usar a etiqueta de prioridade máxima em tudo.
Como priorizar o que entra na fila
Ter todas as solicitações centralizadas é ótimo, mas não resolve o problema de decidir o que fazer primeiro. Sem critérios claros de priorização, o gestor continua refém das pressões políticas e da urgência declarada.
Uma ferramenta simples e eficaz é a matriz de priorização baseada em impacto versus esforço. Cada solicitação é avaliada em duas dimensões: qual o impacto esperado (em receita, marca, eficiência) e quanto esforço será necessário (tempo, complexidade, recursos).
Alto impacto, baixo esforço:
Essas são as vitórias rápidas. Devem ir para o topo da fila. Exemplo: ajustar uma peça existente que vai aumentar conversão em campanha ativa.
Alto impacto, alto esforço:
Projetos estratégicos que valem o investimento, mas precisam de planejamento. Entram na fila com antecedência. Exemplo: rebranding completo da empresa.
Baixo impacto, baixo esforço:
Podem ser feitas quando houver tempo livre, mas não são prioridade. Exemplo: ajuste estético em material interno.
Baixo impacto, alto esforço:
Questionáveis. Vale uma conversa com o solicitante para entender se realmente faz sentido investir nisso. Muitas vezes a resposta é não.
Outra variável importante é o prazo real versus prazo desejado. Nem toda urgência declarada é urgência de verdade. O gestor precisa ter autonomia para questionar e realocar prioridades com base em critérios objetivos, não em quem pediu mais alto.
Algumas empresas adotam um sistema de pontos onde cada solicitação recebe uma nota de 1 a 5 em dimensões como urgência, impacto no negócio, complexidade técnica e alinhamento estratégico. A soma dos pontos determina a ordem na fila. Isso traz objetividade ao processo e reduz discussões subjetivas.
Gestão de backlog criativo
Backlog é o conjunto de todas as demandas que ainda não foram iniciadas. Em desenvolvimento de software, a gestão de backlog é uma disciplina consolidada. Em design, ainda é tratada de forma amadora na maioria das empresas.
Um backlog bem gerenciado tem três características: é visível para todos os envolvidos, está constantemente priorizado e é revisado regularmente. Nada fica esquecido, mas também nada entra na produção sem passar pelo filtro de priorização.
Ferramentas visuais como quadros Kanban ajudam muito. Colunas típicas incluem:
Solicitado
Em Análise
Priorizado
Em Produção
Em Revisão
Concluído.
Cada demanda avança pelas etapas, e todos conseguem ver em que estágio cada projeto está. Para as etapas de revisão e aprovação, temos um guia completo sobre como construir esse fluxo.
A coluna "Em Análise" é especialmente importante no fluxo de trabalho de design. É ali que o gestor avalia se a solicitação tem todas as informações necessárias, se faz sentido estratégico, se não é duplicada com outra demanda e onde ela se encaixa na fila de prioridades.
Revisar o backlog semanalmente é uma boa prática. Prioridades mudam, novos projetos surgem, e o que era urgente na semana passada pode ter perdido relevância. Manter o backlog atualizado evita trabalhar em coisas que já não fazem mais sentido.
Outra prática útil é limitar o tamanho da fila de "Priorizado". Se há 50 projetos marcados como prioritários, nenhum deles é realmente prioritário. Limitar a fila força decisões difíceis e garante que o time de design esteja sempre focado no que realmente importa naquele momento.
Como comunicar prazos de forma realista
Um dos maiores atritos no fluxo de trabalho de design acontece na expectativa de prazo. O solicitante quer para ontem, o designer precisa de uma semana e no meio fica o gestor tentando gerenciar expectativas.
A transparência é a melhor política. Quando uma solicitação entra no sistema, o gestor deve comunicar de forma clara e objetiva qual é o prazo realista de entrega, baseado na fila atual e na complexidade do projeto. Não adianta prometer entregas impossíveis só para agradar.
Se a fila está cheia, é melhor dizer "essa demanda vai entrar em produção na próxima semana e a entrega está prevista para daqui a 10 dias" do que aceitar um prazo de 2 dias que não vai ser cumprido. Expectativas mal gerenciadas geram muito mais frustração do que prazos realistas desde o início.
Ferramentas de gestão ajudam nessa comunicação porque tornam a fila visível. O solicitante consegue ver que há cinco projetos na frente do dele e isso facilita o entendimento do porquê não pode sair imediatamente.
Quando surge uma demanda realmente urgente e estratégica, o gestor pode reorganizar a fila. Mas isso precisa ser exceção, não regra. E quando acontecer, os outros solicitantes afetados devem ser avisados de que seus projetos vão atrasar. Transparência em todas as direções.
Outra abordagem é trabalhar com janelas de entrega em vez de datas fixas. "Entregas acontecem toda terça e quinta" é mais gerenciável do que promover datas específicas para cada projeto. Isso cria um ritmo previsível e facilita o planejamento tanto de quem solicita quanto de quem executa.
O papel do gestor como filtro
No fluxo de trabalho de design, o gestor não é só um organizador de fila, mas um filtro estratégico. Nem toda solicitação que chega deveria virar projeto de design. Parte do trabalho é questionar, desafiar e, quando necessário, recusar demandas que não fazem sentido.
Algumas solicitações podem ser resolvidas reutilizando materiais existentes. Outras podem ser simplificadas ou agrupadas com projetos similares para ganhar eficiência. E algumas, francamente, não deveriam ser feitas, porque não se alinham com a estratégia ou porque o custo-benefício não justifica.
Ter coragem de dizer "não" é uma habilidade subestimada. Quando o gestor aceita tudo que chega, a fila explode, a qualidade cai e o time fica sobrecarregado fazendo trabalhos de baixo impacto. Filtrar com critério protege a capacidade criativa para o que realmente importa.
Esse papel de filtro exige contexto estratégico. O gestor precisa conhecer bem os objetivos da empresa, as prioridades do trimestre e o que gera mais resultado. Sem esse entendimento, a priorização vira apenas gestão de urgências, não gestão estratégica.
Empresas que empoderam o gestor de marketing para tomar essas decisões têm fluxos de trabalho muito mais saudáveis. Quando o gestor precisa pedir autorização para tudo ou não tem autonomia para rejeitar solicitações ruins, o processo trava e a eficiência despenca.
Quando o modelo de fornecimento simplifica tudo
Até aqui falamos de organizar o fluxo de trabalho internamente. Mas o modelo de fornecimento de design também influencia diretamente na complexidade do processo. Trabalhar com vários freelancers, por exemplo, multiplica a gestão: cada um tem seu processo, suas ferramentas, sua disponibilidade.
Agências tradicionais costumam ter seus próprios sistemas de intake e priorização, o que pode gerar atrito com os processos internos da empresa. Nem sempre há integração e o gestor acaba trabalhando em duplicidade: organizando internamente e depois traduzindo para o processo da agência.
Designer interno facilita a gestão de fluxo porque está integrado ao dia a dia da empresa. Mas quando a demanda cresce, um único designer não dá conta, e o backlog começa a acumular. Contratar mais pessoas resolve, mas aumenta a complexidade de gestão e o custo fixo.
Modelos de design por assinatura são construídos pensando em fluxo de trabalho eficiente. Geralmente oferecem plataforma integrada onde as solicitações entram, são priorizadas e acompanhadas sem atrito. O gestor trabalha com um canal único, prazos previsíveis e capacidade escalável.
A vantagem é que a empresa não precisa se preocupar com a gestão interna do time de design. Isso já está resolvido do lado do fornecedor. O gestor foca apenas em priorizar o que a empresa precisa e a execução flui de forma consistente.
Empresas que adotam esse modelo relatam redução significativa no tempo gasto gerenciando fornecedores. Em vez de coordenar múltiplos freelancers ou negociar escopo com agência a cada projeto, há um processo único e previsível.
Recomendações práticas para estruturar o fluxo
Ao implementar ou melhorar o fluxo de trabalho de solicitações de design, algumas práticas fazem diferença:
Comece simples:
Não precisa de ferramenta complexa ou processo rebuscado. Um formulário Google e um Trello já resolvem 80% do problema.
Eduque os solicitantes:
Explique por que o processo existe e como ele beneficia a todos. Quando as pessoas entendem o porquê, aderem melhor.
Revise o processo regularmente:
O que funciona com 10 solicitações por mês pode não funcionar com 50. Ajuste conforme a demanda evolui.
Seja firme com o canal único:
Se permitir exceções (aceitar pedidos por email, WhatsApp), o processo perde força. Todos precisam usar o mesmo caminho.
Meça e mostre resultados:
Quantas demandas foram atendidas no mês? Qual o prazo médio de entrega? Quantas ficaram travadas por falta de informação? Dados ajudam a melhorar continuamente.
Envolva o time de design na priorização:
Quem vai executar muitas vezes tem insights valiosos sobre complexidade e viabilidade técnica.
Comunique constantemente:
Mantenha os solicitantes informados sobre o status de seus projetos. Silêncio gera ansiedade e mais solicitações de follow-up.
Celebre as vitórias:
Quando o processo funciona bem e entregas acontecem no prazo, reconheça. Isso reforça a importância de seguir o fluxo.
O fluxo de trabalho de design não é glamouroso. Não aparece nos cases de criatividade ou nos prêmios da indústria. Mas é o que separa times produtivos de times caóticos. Quando bem estruturado, libera energia criativa, reduz estresse e entrega mais valor para o negócio.
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