top of page

Design Thinking para Entender Necessidades do Cliente

  • DesignGuy
  • há 9 horas
  • 10 min de leitura

Muitos gestores de marketing em empresas tradicionais trabalham criando campanhas, ajustando mensagens e produzindo materiais sem nunca ter conversado diretamente com um cliente. Ao menos não de forma profunda.


A informação chega filtrada por relatórios de pesquisa, dashboards de métricas ou repasses do time comercial. O problema é que esses filtros removem exatamente o tipo de insight que transforma o marketing em uma área estratégica, com as ferramentas certas para poder trabalhar.


Design thinking oferece um conjunto de técnicas práticas para te dar essas ferramentas e reverter isso. Ele não é uma teoria abstrata, nem uma metodologia complexa que exige certificação, mas um método que qualquer gestor de marketing pode aplicar para entender com mais profundidade o que os clientes realmente precisam, quais problemas enfrentam no dia a dia e por que escolhem ou abandonam determinadas soluções.


Quando você entende essas necessidades de verdade, tudo muda. As campanhas falam direto com dores reais do seu público e ativa neles o gatilho certo para se aproximar da sua marca e comprar. Os materiais mostram benefícios que importam em vez de listar features. E o posicionamento da marca se conecta com o momento de vida do cliente.


Dois personagens conversam em um fundo etéreo, cercados por balões de fala. Silhueta de uma cabeça com lâmpada simboliza ideias.

Por que marcas tradicionais não falam com clientes

Em muitas organizações estabelecidas, existe uma separação rígida entre quem desenvolve produto, quem vende e quem faz marketing:


  • O time de produto faz suas pesquisas, mas nem sempre sai do escritório para conversar com usuários reais. E, quando faz, nem sempre usa os métodos certos.

  • O comercial foca em fechar vendas, não em entender contexto.

  • E o marketing fica no meio, produzindo conteúdo baseado em suposições ou em pesquisas quantitativas que mostram o "quê" mas nunca o "por quê".


Essa estrutura funciona até certo ponto. Você consegue manter operação rodando, campanhas sendo lançadas e materiais sendo produzidos. Mas perde completamente a capacidade de inovar de forma relevante ou de antecipar mudanças no comportamento do mercado.


Para o gestor de marketing que quer sair dessa posição reativa, design thinking oferece um caminho estruturado.


O que é design thinking afinal?

Antes de começar, vamos esclarecer o que é Design Thinking:


Design thinking, como metodologia estruturada, nasceu na IDEO, consultoria de design da Califórnia, nos anos 1990. David Kelley, fundador da empresa, e Tim Brown, que virou CEO depois, sistematizaram práticas que designers já usavam há décadas e transformaram isso em processo que qualquer pessoa poderia aplicar para resolver problemas complexos.


A ideia central era simples: em vez de começar pela solução tecnicamente possível, comece pelo que as pessoas realmente precisam.


A abordagem ganhou força quando a IDEO redesenhou o carrinho de compras do supermercado em um projeto que virou um case famoso, mostrando como observar comportamento real das pessoas gerava soluções que ninguém tinha pensado antes. Desde então, o design thinking se espalhou para além do design de produtos e hoje é usado em contextos que vão desde estratégia corporativa até políticas públicas.


O que design thinking traz para o marketing

Já que design thinking é uma abordagem centrada em resolver problemas reais das pessoas, faz todo sentido começar entendendo profundamente essas pessoas. Depois gera ideias de soluções, testa rapidamente o que funciona e refina com base em feedback real.


Para o marketing, isso significa parar de criar campanhas baseadas no que você acha que o cliente quer e começar a criar com base no que descobre que ele precisa e seus gatilhos de compra. E isso você só pode descobrir conversando com ele. A diferença parece sutil mas é enorme.


As técnicas de design thinking ajudam a extrair esse conhecimento de forma sistemática. Não é apenas "conversar com cliente" de forma aleatória. Existem perguntas certas para fazer, momentos certos para observar e formas específicas de organizar o que você descobre para transformar em ação.


Técnicas práticas e quando usar cada uma

Diferentes situações pedem diferentes técnicas. Aqui está um cardápio prático do que aplicar em cada momento.


Jobs to be Done: quando você quer entender motivação real

Jobs to be Done é um framework desenvolvido pelo guru da inovação corporativa, o Clayton Christensen, que ajuda a descobrir por que as pessoas realmente "contratam" um produto ou serviço.


A ideia central é que o cliente não quer seu produto, mas quer fazer progresso em alguma área da vida. Seu produto é apenas o meio.

Use essa técnica quando precisar entender o que leva alguém a buscar uma solução como a sua. Em vez de perguntar "você gostou do nosso produto?", você pergunta "o que estava tentando realizar quando decidiu buscar uma solução?", "como já tentou resolver esse problema?". A resposta revela contexto, gatilhos e critérios de decisão que nunca aparecem em pesquisa de satisfação.


Por exemplo, uma pessoa que compra uma furadeira não quer literalmente uma furadeira. O que ela quer é pendurar um quadro na parede.

Indo além, ela não quer só pendurar o quadro. Quer que a casa pareça mais acolhedora para ela, sua família e amigos. Esse é o job real. Agora, imagine um time de marketing fazendo uma ação para uma furadeira achando que está vendendo uma furadeira VS tendo a consciência de que está proporcionando uma casa mais aconchegante. Quando você entende isso, a comunicação muda completamente.


Se quiser aprofundar no assunto e entender como aplicar de verdade esta técnica, leia este artigo que fizemos sobre Job To Be Done.


Neste outro, ensinamos sobre o conceito de por cliente no centro, também amplamente difundido pelo Clayton Christensen, em que não pensamos no produto e nas campanhas de marketing em si, mas olhamos para o cliente e construímos algo para ele.


Entrevistas qualitativas: quando você quer profundidade

Pesquisas quantitativas mostram padrões. Já entrevistas qualitativas mostram razões. Se você quer entender "quanto", use uma survey com volume de pessoas. Se quer entender "por quê" ou "como", converse cara a cara com 5 ou 10 clientes.


A técnica funciona melhor com 5 a 8 entrevistas bem feitas do que com 50 superficiais. Escolha pessoas que representam seu público mas que tenham perspectivas diferentes. Prepare um roteiro com perguntas abertas. Peça exemplos concretos sobre a vida da pessoa e como ela lida com aquele problema. Grave se possível (com permissão) para revisar depois sem perder nuances.


Neste guia ensinamos técnicas para entrevistas baseado na nossa experiência, fazendo isso por mais de uma década, e no livro Teste da Mãe, que é o melhor que conhecemos para este fim.


Veja aqui um exemplo:


  • "Me conte sobre a última vez que você [comportamento relevante]".


Isso força a pessoa a relembrar situação específica e falar sobre como foi a experiência. Os detalhes dessa história revelam contexto, emoções e trade-offs que a pessoa faz na vida real. E, inclusive, se ela possivelmente está disposta a pagar e quanto para resolver esse problema.


Mapeamento de jornada: quando você quer ver pontos de atrito

Jornada do cliente mapeia todos os passos que a pessoa percorre desde perceber um problema até resolver e avaliar resultado. Para cada etapa, você identifica o que a pessoa pensa, sente, faz e onde encontra dificuldade.


Essa técnica é especialmente útil quando seu produto ou serviço tem processo longo ou complexo. Você descobre onde as pessoas desistem, onde ficam confusas, se alguma parte do processo está muito demorada e onde precisam de mais suporte.


Cada ponto de atrito é uma uma janela para o cliente ir embora.

Mas também uma oportunidade para melhorar experiência ou criar conteúdo que ajude naquele momento específico.


Como desenhar essa jornada?


Comece desenhando um fluxo com as etapas pelas quais o cliente passa. Pense sempre nele, não em você e desenhe o fluxo o mais simples que puder.


Veja esse exemplo que tiramos do livro Sprint:


monday do livro sprint. Diagrama de fluxo em lousa conecta paciente, médico e coordenador em passos de agendamento e terapia. Marcadores embaixo. Emoção neutra.


Valide com clientes reais perguntando como foi a experiência deles em cada fase. Você vai descobrir que sua suposição estava parcialmente errada e que existem etapas que você nem imaginava. Este é um processo muito rico e por isso é importante estar aberto para escutar muito e falar muito pouco.


Depois disso, volte ao fluxo e dentifique com postits os itens abaixo:

  • Dor: onde estão os atritos? Insatisfação, abandono, longa espera.

  • Oportunidades: onde estão as principais oportunidades para melhorar este cenário?

  • Ação: o que pode ser feito para resolver?


Modifique sua comunicação, se necessário o produto, faça testes e meça o que melhor funciona e traz mais resultados.


Prototipagem rápida: quando você quer testar antes de investir

Prototipar é criar uma versão simples e barata de uma ideia para testar se faz sentido antes de investir em uma produção completa. No contexto de marketing, pode ser um mockup de campanha, landing page feita rapidamente com IA, às vezes estando cores diferentes ou heros diferentes (teste A/B).


A vantagem é velocidade e economizar muito dinheiro e tempo do seu time. Em vez de gastar semanas produzindo uma campanha completa para descobrir que a mensagem não conecta, você testa uma versão rápida com algumas pessoas do seu público e distribui em escala somente aquela que deu mais resultado.


Esse protótipo não precisa ser bonito e completo, ele precisa testar uma ideia. Precisa ser claro o suficiente para a pessoa entender a proposta e dar feedback. Esse feedback pode ser clicar ou não. Consumir ou não. Encaminhar ou não.


Observação contextual: quando você quer ver comportamento real

As pessoas mentem em pesquisas. Não por mal, mas porque não percebem seus próprios padrões ou porque respondem o que acham que deveriam responder, especialmente se forem feitas perguntas com viés. Observação contextual contorna isso ao ver como as pessoas realmente se comportam em ambiente natural.


Se você vende software B2B, vá até o escritório do cliente e observe como usam a ferramenta no dia a dia. Se vende produto de consumo, acompanhe como as pessoas compram e usam na vida real. Você vai descobrir workarounds que criaram, frustrações que nunca mencionariam em entrevista e oportunidades que não sabia que existiam. Essa é uma dica de ouro.


Observação funciona melhor quando você para de fazer perguntas e apenas assiste. Tome notas, mas não interrompa. Deixe a pessoa trabalhar normalmente. As pausas, as improvisações e os momentos de confusão são exatamente o que você precisa ver.


Neste artigo sobre Jobs To Be Done damos um exemplo do clássico case do milkshake, que só foi possível através de observação.


Como aplicar isso?

O mais importante é saber que essas técnicas existem, sua função, em qual momento aplicá-las para, quando necessário, aprofundar os estudos e aplicar. Afinal, a melhor forma de aprendê-las é na prática.


Para por em prática, você precisa testar. Se, por exemplo, não está entendendo algum comportamento do seu cliente em loja, reserve uma tarde e fique por lá. Observe os clientes, como eles compram (direcionando seu olhar ao que deseja entender).


Na mesma tarde ou em um outro dia, volte lá e faça perguntas às pessoas. Perguntas abertas sobre como usam seu produto, que problema estavam tentando resolver e onde encontram dificuldade. Grave e revise depois procurando padrões.


Outra opção: peça para o comercial incluir você em algumas ligações de pós-venda. Não para interferir nas vendas, apenas para ouvir como o cliente descreve a experiência com suas próprias palavras. As expressões que ele usa, as comparações que faz e os benefícios que destaca raramente aparecem no material de marketing porque você não sabia que importavam.


Você também pode criar hábito de revisar tickets de suporte procurando por temas recorrentes. Cada reclamação ou dúvida frequente é sinal de que existe lacuna na comunicação ou no produto que pode ser endereçada.


O que fazer com os insights descobertos

Coletar informação não adianta nada se ela fica guardada. Você precisa transformar o que descobre em ações concretas.


Comece documentando os padrões. Depois de algumas conversas, você vai notar que certas frustrações aparecem repetidamente, que determinadas palavras são usadas para descrever o problema ou que existe sequência típica de eventos que leva à compra. Anote isso de forma estruturada.


Use esses padrões para ajustar messaging. Se descobriu que clientes descrevem o problema usando determinada metáfora, incorpore essa metáfora nas suas campanhas. Se descobriu que o principal critério de decisão é X mas você vinha destacando Y, reoriente o conteúdo. Se identificou etapa da jornada onde as pessoas ficam travadas, crie material específico para aquele momento.


Os insights também informam quais materiais criar. Se você descobriu que prospects ficam inseguros sobre implementação, produza um case mostrando implementação real. Se descobriu que decisores precisam convencer outras pessoas internamente, crie assets que ajudem nessa conversa interna. E por aí vai.


Quando o design entra nessa história

Entender o cliente é apenas metade do trabalho. A outra metade é comunicar de forma que ressoe com o que você descobriu. E aqui é onde design visual se torna essencial. Ou seja, depois de suas descobertas, você precisará executar peças, campanhas, sites e afins.


Você pode ter o insight perfeito sobre a dor do cliente, mas se a landing page não transmite isso de forma clara e atraente, o insight não gera nenhum resultado. Pode saber exatamente qual mensagem usar, mas se o email não tem hierarquia visual que guia o olho para informação mais importante, a mensagem se perde.


Nosso founder fez um vídeo muito bom para refletirmos sobre os impactos do seu ROI como consequência do design, que muitas vezes não são contabilizados.



Design é responsável por traduzir estratégia em comunicação visual que realmente funciona. Cores, tipografia, layout, imagens: cada elemento reforça ou enfraquece a mensagem que você quer passar. Quando bem executado, o design amplifica sua comunicação e seus resultados. Quando mal executado, desperdiça tudo que você descobriu.


A execução visual precisa estar no mesmo nível da estratégia e vice-versa. Se você investiu tempo entendendo profundamente seu cliente, invista também em transformar esse entendimento em peças de comunicação que realmente convertem.


Como a DesignGuy apoia execução estratégica

Quando você já fez o trabalho de entender o cliente, precisa de um parceiro que consiga executar rapidamente sem perder qualidade ou contexto.


A DesignGuy funciona exatamente para isso: você solicita os materiais que precisa via Trello, explicando o insight que descobriu e o que quer comunicar. A equipe transforma isso em design profissional em uma média de 48 horas. Não há reuniões demoradas ou processos burocráticos. Apenas execução rápida e focada.


Você pode pedir landing page que destaca exatamente o benefício que descobriu ser mais importante. Apresentação que segue a lógica da jornada que mapeou. Email que usa as palavras que seus clientes realmente falam. Posts para redes sociais que abordam as dúvidas específicas que identificou.


Como o modelo é por assinatura, você não precisa negociar projeto por projeto. Solicita conforme as necessidades aparecem. Se descobriu um novo insight conversando com clientes essa semana, pode traduzir isso em peças visuais imediatamente. A agilidade permite que você teste, aprenda e ajuste de forma contínua.


Design thinking ajuda você a descobrir o que realmente importa para seu cliente. Design por assinatura ajuda você executar isso e a comunicar de forma eficaz. Agende agora mesmo uma ligação conosco.


 
 
 

Comentários


bottom of page